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120 Anos da Industria
Assembleia Geral Nos 120 anos da indústria
Carlos Costa, futuro Governador do Banco de Portugal, agraciado na sua terra natal

Nas comemorações dos 120 anos da indústria cesarense, o Centro Cívico Justino Portal será palco, até 9 de Maio, de uma iniciativa inédita em Cesar. Cerca de três dezenas de empresas cesarenses expõem a sua história e a sua dinâmica empresarial. A par deste evento, Dr. Carlos Costa, Vice-presidente do BEI, futuro Governador de Portugal, foi magistral na conferência que proferiu sobre a indústria.

A importância da Feira dos 18 no desenvolvimento da indústria de Cesar

Na verdade, Cesar tem demonstrado ao longo de 120 anos a sua capacidade arguta para o desenvolvimento industrial e social. A história fala por si e com ela, muitos homens enfrentando desafios e arriscando em tempos difíceis da vida dura dos finais do século XIX, desbravaram caminhos que marcaram e marcam o pulsar da vida quotidiana da agora vila de Cesar.
Quando em 1835, um punhado de homens fundou a Feira dos 18, estava-se diante de um acontecimento que iria mudar o rumo de uma terra predominantemente agrícola. O facto de Cesar, partir do século XIX, contar com uma feira mensal, a Feira dos 18, lentamente à sua volta começaram a surgir pequenos pólos industriais, no qual o primeiro a romper o silêncio do largo da Gândara, foi Manoel de Mello, que em 1890 trouxe para Cesar a arte da latoaria e caldeiraria.
Para perceber a dinâmica do grande crescendo industrial da vila de Cesar, tem que se entender e analisar a importância que a Feira dos 18 teve no seu processo de desenvolvimento. No decorrer do trabalho de preparação para a exposição dos 120 anos da indústria em Cesar, e depois da realização de uma investigação sociológica e histórica, percebemos que não podemos dissociar a dinâmica industrial de Cesar, sem a influência da Feira dos 18, no que diz respeito à realidade empresarial em que Cesar se transformou.
Apesar de não nos podermos alongar nesta nossa tese, fica, contudo, a certeza de que a Feira dos 18 foi o motor catalisador do desenvolvimento industrial. Ou dito de outra maneira, será que sem a Feira dos 18, Cesar teria o parque industrial que tem hoje? Não sabemos e nunca se saberá! Mas uma coisa é certa, Cesar com feira tornou-se numa referência industrial; as freguesias vizinhas e do concelho em geral que não têm feira, não têm a “dimensão industrial de Cesar”.

Exposição com elevada participação

Com um elevado número de empresas cesarenses na exposição, de referir que 35% das empresas de Cesar marcaram presença e outras por razões de espaço, de tempo e de informação não puderam participar, a iniciativa levada a efeito pela Associação Villa Cesari, recebeu os melhores elogios e agradecimentos por parte da comunidade industrial, autárquica e do público em geral. As manifestações de regozijo vindas dos mais diversos patamares da sociedade, incluindo o Dr. Carlos Costa, futuro Governador do Banco de Portugal, demonstram a capacidade interventiva da Villa Cesari na sociedade cesarense e oliveirense. Como afirmou o vereador da Câmara Municipal, Pedro Marques, “Cesar faz grande concorrência à metrópole” ao nível das actividades que realiza. Na realidade, o “modus operandi” da vila Cesar protagonizada pela Villa Cesari não é indiferente aos mais diversos sectores e quadrantes da sociedade. A confirmar esta afirmação é o grande número de empresas que marcam presença no certame que estará aberto até ao dia 9 de Maio.
Empresas participantes: Reis e Reis, Silampos, Lidarco – Fernando J, Henriques, ASC – Moldes, Flama, Formaplás, Macofrei, Mobiladora Cesarense, Celar, Edepint, Afer, Eumel, Eumel Plásticos, Sonecol, Solvinhas, Mobelar, Móveis Azevedo, Almeida Lima e Filhos, FJG – Moldes, Alumínios Vieira, David e Ferreira, Alves e Pinho, Alves e Caetano, Móveis JM Lima, Dapigraf, Rumar.

O Centro Cívico foi pequeno para receber o Dr. Carlos Costa.

No âmbito desta iniciativa e como estava anunciado, no passado dia 30, sexta-feira, Carlos Costa, nomeado para Governador do Banco de Portugal, deu uma conferência sobre os desafios que se colocam à indústria portuguesa. A presença de muitos profissionais da área económica e bancária; empresários, operários, estudantes e público em geral, encheram o Auditório da Casa do Cruzeiro para ouvir o ilustre cesarense.
Na verdade, foram muitos aqueles (amigos de escola) que quiseram felicitar o Dr. Carlos Costa pela sua nomeação para BdP e desejar-lhe os maiores sucessos e felicidade nas novas funções. Afável de comunicação e trato, este cesarense, mostrou bem as suas raízes e não se fez rogado em dispensar em tempo, do tempo que tinha, para prestar atenção e dar uma palavra a todos quantos lhe quiseram abraçar e cumprimentar.

Conferência: uma aula de economia para todos

De modo simples, directo e compreensível, Carlos Costa, falou para um auditório repleto de gente dos mais variados quadrantes profissionais e da sociedade em geral. Cerca de 400 pessoas marcaram presença para ouvir o ilustre “banqueiro”. Aludindo de maneira clara sobre os problemas económicos que assolam o país e o mundo, explicou aos presentes que uma das maneiras de Portugal sair da crise passa, impreterivelmente, pelos bens transaccionáveis; as empresas portuguesas têm que assumir uma visão cosmopolita e não provinciana; passar de uma posição defensiva para ofensiva e identificar claramente os desafios económicos, onde referiu que as empresas têm que conhecer a sua capacidade de produzir mas, do mesmo modo, têm que saber compreender a capacidade que a sociedade tem consumir.
Hoje, como referiu o Dr. Carlos Costa, já não é o cliente que procura o produto, mas é o fornecedor que tem que perceber aquilo que o cliente quer e apresentar as melhores soluções para um determinado produto, conjugando este factor com os custos da produção. Qualquer empresa só tem sucesso se produzir bem e pagar os salários justos, na medida que uma organização empresarial é mais do que uma organização individual, pois o capital humano e tecnológico é fundamental para o desenvolvimento colectivo.
Aludindo às comemorações dos 120 anos da indústria cesarense: “Da indústria do século XIX à indústria do século XXI”, é também da opinião que Cesar desenvolveu-se mais industrialmente em relação a outras terras, devido ao movimento transaccionável, que a partir de meados do século XIX (1835), a feira de Cesar proporcionou. Ainda no contexto da indústria cesarense considerou quatro fases de desenvolvimento que não serão muito diferentes do resto do país. Contudo, no que diz respeito a Cesar afirmou: primeiro a feira dos 18; segundo o fim da 2ª Guerra Mundial e a emergência do mercado nacional; terceiro, depois da queda o muro de Berlim a abertura do mercado europeu na procura de mão-de-obra barata; quatro, o mercado comum e internacional e a deslocalização da produção para os países de leste e asiáticos. É neste contexto de crise e de globalização que nos encontramos, e no qual compete a todos perceber para responder com eficácia. Portugal tem que produzir aquilo que outros não produzem. Tem que inovar para que outros possam comprar. Neste momento, compramos mais do que fabricamos e quando compramos mais do que produzimos, as empresas fecham portas e o desemprego aumenta.

Agradecimento

No início da conferência, Aníbal Campos, dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Dr. Carlos Costa, definindo como um aluno brilhante, recordando palavras do Professor Proença (ensino primário – Escola 5 de Outubro), no qual o docente fazia a profecia de que o “Carlos há-de ao lugar do meu irmão”. Na altura tinha funções de alto nível no Estado Português.
Na verdade, tal profecia aconteceu e a competência bem como a capacidade intelectual do menino que aprendeu a ler, escrever e contar na Escola 5 de Outubro, tornou-se realidade. Os mais diversos cargos ocupados com competência, rigor, seriedade, integridade, idoneidade, profissionalismo, responsabilidade e liberdade pelo cesarense Carlos Costa, levam-no a chegar a Governador do Banco de Portugal, lugar de destaque ao nível da República Portuguesa.

Carlos Costa Gomes

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